por Ciro Gusatti
| Foto: Alecsander Portílio |
A discussão partiu de alguns dados resgatados em uma pesquisa realizada Colégio Marista Conceição. Apresentou-se informações relacionadas ao contexto de apropriação tecnológica dos educadores, alunos e a compreensão desta realidade a partir do colégio e seus gestores.
O estudo ilustrou um panorama favorável no contexto daquela instituição, apesar de apresentar uma clara dissonância entre as três interfaces analisadas. A pesquisa ilustrou, também, alguns nortes e procedimentos para a implantação novas mídias. Durante a exposição, as informações foram evidenciadas de maneira sintética.
Discutiu-se, contudo, que a realidade exposta por esta instituição tratava-se de um contexto privilegiado, um ambiente único e diferenciado em relação à maioria das escolas, principalmente relacionado às nossas instituições públicas. Era inevitável, a partir disso, uma visão pessimista sobre a apropriação nestes outros contextos. Enquanto as escolas particulares deveriam investir nas possibilidades digitais, colocando à disposição dos alunos tecnologias de ponta e exigindo dos professores preparo, na escola pública estes recursos ainda seriam assimilados como luxo.
A apropriação das novas mídias nos ambientes educativos exigiria grandes investimentos em equipamentos e recursos humanos. Além disso, a simples introdução do suporte não significaria inovação educacional. Atingir-se-ia este objetivo quando houvesse transformações nas metodologias de ensino e nas próprias finalidades da educação.
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| Foto: Fabiana Beltrami |
O desafio da educação, contudo, seria preparar os professores para trabalhar com essa nova geração de alunos e todos os recursos da tecnologia contemporânea. Infelizmente, essas tentativas de inovação se chocavam com a resistência de alguns educadores que, apesar do discurso inovador e construtivista, não estariam conseguindo transformar, qualificadamente, em quase nada sua prática pedagógica efetiva e continuam a ser formados para repartirem velhas pedagogias, com ou sem tecnologias.
O aluno não veria mais o professor como a única referência do saber. Assim, o desafio da escola partiria não só no investimento em instalações e equipamentos de última geração, mas, principalmente, o de formar professores que saibam orientar essa geração a desenvolver metodologias de estudo e aprendizado, a selecionar as informações com qualidade nas novas mídias e a transformar toda essa informação em conhecimento.
Pensar uma educação com novas mídias e tecnologias representaria desmascaramos uma realidade educacional formadora de recursos humanos para o mercado de trabalho, repensarmos a formação docente e a proposta pedagógica das escolas, significa consolidarmos um sistema de ensino que desenvolveria a capacidade crítica, um sistema de valores à compreensão de comunicação.
Isso quer dizer, do mesmo modo que a escola educa tradicionalmente para a leitura e expressão textual, neste mundo permeado de novas linguagens desenvolvidas a partir das novas tecnologias de comunicação e informação, propõe-se à escola também promover, uma educação voltada à comunicação e as novas mídias, à produção/expressão das novas linguagens e de sua assimilação crítica, compreendendo-as e apropriando-as nas três interfaces (educador, aluno e instituição) e não apenas absorvendo-as como modismo tecnológico.
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